O mais recente acidente que envolveu o Elevador da Glória, em Lisboa, trouxe à tona um facto que não pode ser ignorado: a confiança que depositamos diariamente em máquinas e equipamentos depende, em grande medida, da eficácia dos processos de inspeção e manutenção.
O descarrilamento deste meio de transporte, desencadeado por uma quebra no cabo de segurança do elevador, que faz a ligação entre as duas cabines e assegura o contrapeso entre ambas, causou 16 vítimas mortais e 19 feridos ligeiros.
Apesar do órgão responsável pela gestão do elevador, a Carris, afirmar ter realizado todos os protocolos de manutenção necessários e cumprido todos os programas de inspeção, este episódio trágico podia ter sido evitado. Ao que tudo indica, no próprio dia, os elementos vitais do ascensor foram alvo de uma inspeção rápida e visual, de cerca de meia hora, recebendo luz verde por parte dos técnicos.
Neste sentido, convém relembrar o papel crucial que os organismos de inspeção desempenham na prevenção de falhas mecânicas ou elétricas, bem como alertar para a necessidade de se fortalecer a relação entre organismos de inspeção externos e os responsáveis por garantir a segurança de equipamentos que impactam a vida de milhares de pessoas todos os dias.
A integração de práticas rigorosas de verificação, aliada a planos de manutenção preventiva, contribui não só para prolongar a vida útil das máquinas, mas sobretudo para evitar ocorrências que podem colocar em perigo trabalhadores e, neste caso em questão, utilizadores.
A ausência de inspeção adequada transforma qualquer máquina ou estrutura num risco iminente e, por esta razão, esta deve ser vista como um pilar da segurança coletiva, assegurando que todos os equipamentos sejam eles de trabalho, lazer ou transporte, funcionam de forma segura, fiável e contínua. É importante, também, relembrar que ao contrário dos organismos de inspeção, as empresas de manutenção não podem fazer inspeções.
O Decreto-Lei 50/2005, por exemplo, exige inspeções regulares aos equipamentos de trabalho e o incumprimento pode resultar em coimas desde 600€ por equipamento. Desta forma, reforça-se a imperatividade de uma cultura de inspeção sistemática, abrangendo todos os equipamentos – sejam de trabalho, lazer ou transporte – uma vez que dela depende a continuidade operacional, a redução de falhas e, acima de tudo, a salvaguarda da vida humana.